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Civilização

Ficção · ContoEça de QueirósA1A2B1B2C16 min de leitura

O mesmo texto em três níveis

É assim que começa em A1, em B1 e em C1. Escolhes a versão que lês com gosto.

A1

O meu amigo Jacinto é muito rico. Vive numa casa enorme, na cidade. A casa chama-se Jasmineiro. Jacinto tem tudo o que a civilização inventa: livros e máquinas.

B1

O meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com terras de pão, azeite e gado que lhe davam quarenta contos de renda. Tinha saúde, inteligência e a simpatia de toda a cidade. Parecia um homem feito para ser feliz.

C1

O meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com quarenta contos de renda em terras ricas de pão, azeite e gado. Desde o berço foi mais são e mais rijo do que um pinheiro das dunas. E, todavia, desde os vinte e oito anos, bocejava três ou quatro vezes por dia, com um bocejo cavo e lento.

Palavras para o texto

civilização
Invenções e confortos da vida moderna.
aborrecido
Cansado de tudo, sem interesse.
serra
Conjunto de montes altos.
caixote
Caixa grande de madeira.
solar
Casa antiga de uma família rica, no campo.
caseiro
Cuida da casa e das terras de outro.
ceia
Jantar simples.

O início do texto

O homem que tinha tudo

O meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com terras de pão, azeite e gado que lhe davam quarenta contos de renda. Tinha saúde, inteligência e a simpatia de toda a cidade. Parecia um homem feito para ser feliz.

Vivia numa casa enorme chamada Jasmineiro. De todos os homens que conheci, Jacinto era o mais civilizado: tinha à sua volta tudo o que os homens tinham inventado para o espírito e para o corpo.

A biblioteca tinha vinte e cinco mil livros, em estantes de ébano. Havia luz elétrica, um telefone e um teatrofone, para ouvir os teatros por fios. Havia também um fonógrafo, uma máquina que guardava a voz das pessoas.

No gabinete, a mesa estava cheia de instrumentos para cortar papel e aguçar lápis. Alguns tinham pontas vivas, e no papel eu via, por vezes, gotas do sangue de Jacinto. Mas ele achava todos indispensáveis.

Em poucas palavras

Jacinto é muito rico. Vive numa grande cidade. Tem muitas máquinas, mas está sempre aborrecido. Vai para uma casa velha na serra. Lá, sem máquinas, fica feliz.

Autor

Eça de Queirós (1892)

Original de 1892, em domínio público. A adaptação foi verificada com o texto completo. pt.wikisource.org

Níveis

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