Civilização
O mesmo texto em três níveis
É assim que começa em A1, em B1 e em C1. Escolhes a versão que lês com gosto.
O meu amigo Jacinto é muito rico. Vive numa casa enorme, na cidade. A casa chama-se Jasmineiro. Jacinto tem tudo o que a civilização inventa: livros e máquinas.
O meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com terras de pão, azeite e gado que lhe davam quarenta contos de renda. Tinha saúde, inteligência e a simpatia de toda a cidade. Parecia um homem feito para ser feliz.
O meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com quarenta contos de renda em terras ricas de pão, azeite e gado. Desde o berço foi mais são e mais rijo do que um pinheiro das dunas. E, todavia, desde os vinte e oito anos, bocejava três ou quatro vezes por dia, com um bocejo cavo e lento.
Palavras para o texto
- civilização
- Invenções e confortos da vida moderna.
- aborrecido
- Cansado de tudo, sem interesse.
- serra
- Conjunto de montes altos.
- caixote
- Caixa grande de madeira.
- solar
- Casa antiga de uma família rica, no campo.
- caseiro
- Cuida da casa e das terras de outro.
- ceia
- Jantar simples.
O início do texto
O homem que tinha tudo
O meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com terras de pão, azeite e gado que lhe davam quarenta contos de renda. Tinha saúde, inteligência e a simpatia de toda a cidade. Parecia um homem feito para ser feliz.
Vivia numa casa enorme chamada Jasmineiro. De todos os homens que conheci, Jacinto era o mais civilizado: tinha à sua volta tudo o que os homens tinham inventado para o espírito e para o corpo.
A biblioteca tinha vinte e cinco mil livros, em estantes de ébano. Havia luz elétrica, um telefone e um teatrofone, para ouvir os teatros por fios. Havia também um fonógrafo, uma máquina que guardava a voz das pessoas.
No gabinete, a mesa estava cheia de instrumentos para cortar papel e aguçar lápis. Alguns tinham pontas vivas, e no papel eu via, por vezes, gotas do sangue de Jacinto. Mas ele achava todos indispensáveis.
Em poucas palavras
Jacinto é muito rico. Vive numa grande cidade. Tem muitas máquinas, mas está sempre aborrecido. Vai para uma casa velha na serra. Lá, sem máquinas, fica feliz.
Autor
Eça de Queirós (1892)
Original de 1892, em domínio público. A adaptação foi verificada com o texto completo. pt.wikisource.org
Níveis
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