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Missa do Galo

Ficção · ContoMachado de AssisA1A2B1B2C16 min de leitura

Ilustração do texto: Missa do Galo
Missa do Galo, Machado de Assis

O mesmo texto em três níveis

É assim que começa em A1, em B1 e em C1. Você escolhe a versão que lê com gosto.

A1

Nogueira tem dezessete anos. Ele vem de Mangaratiba para estudar no Rio. Mora na casa de Meneses. Meneses é escrivão: ele escreve documentos.

B1

Nunca pude entender a conversa que tive com uma senhora, há muitos anos. Eu tinha dezessete anos, e ela, trinta. Era noite de Natal, no Rio de Janeiro, por volta de 1861 ou 1862.

C1

Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos: eu contava dezessete, e ela, trinta. Era noite de Natal. Como havia ajustado com um vizinho irmos juntos à Missa do Galo, preferi não dormir, e combinei que iria acordá-lo à meia-noite.

Palavras para o texto

Missa do Galo
Missa à meia-noite, no Natal.
hospedado
Morando na casa de outra pessoa.
escrivão
Homem que escreve documentos oficiais.
roupão
Roupa larga para usar em casa.
canapé
Sofá antigo.
Corte
O Rio, onde morava o imperador.

O início do texto

A casa da Rua do Senado

Nunca pude entender a conversa que tive com uma senhora, há muitos anos. Eu tinha dezessete anos, e ela, trinta. Era noite de Natal, no Rio de Janeiro, por volta de 1861 ou 1862.

Eu tinha vindo de Mangaratiba para o Rio, meses antes, para estudar os preparatórios. Fiquei hospedado na casa do escrivão Meneses, na Rua do Senado. Ele tinha sido casado, primeiro, com uma prima minha. Conceição, a segunda mulher, e a mãe dela me receberam bem.

Eu vivia tranquilo naquela casa de dois andares, com os meus livros e poucas amizades. A família era pequena: o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Às dez horas todos estavam nos quartos, e às dez e meia a casa dormia.

Conceição era calma, sem extremos, sem grandes lágrimas nem grandes risos. O rosto era nem bonito nem feio: era o que se chama uma pessoa simpática. Não falava mal de ninguém e perdoava tudo. Chamavam-na “a santa”.

Eu nunca tinha ido ao teatro e pedi a Meneses que me levasse. A sogra fazia uma careta, as escravas riam baixinho, e ele, sem responder, saía e só voltava na manhã seguinte.

Mais tarde soube que o “teatro” era uma desculpa: Meneses tinha uma amiga, uma senhora separada do marido. No começo, Conceição sofreu. Depois, se resignou e achou que estava tudo certo.

Em poucas palavras

Nogueira tem dezessete anos. Ele mora no Rio, na casa de Meneses. No Natal, ele espera a missa da meia-noite. Conceição, a mulher de Meneses, vem à sala. Os dois conversam muito tempo. Nogueira nunca entende bem essa conversa.

Autor

Machado de Assis (1899)

Original de 1899, em domínio público. A adaptação foi conferida com o texto completo. dominiopublico.gov.br

Níveis

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